Minha história com Paul McCartney: da sala de casa para a grade da pista premium em São Paulo

Minha história com Paul McCartney: da sala de casa

para a grade da pista premium em São Paulo

Por Isabella Otto

Uma das minhas primeiras lembranças envolvendo os Beatles é ouvir meu pai escutando "Because" na sala de casa. Eu era pequena, devia ter uns cinco ou seis anos, mas ainda hoje me lembro do sentimento: um misto de emoções que até hoje não consigo bem descrever. Eu sentia medo daquela melodia e daquelas vozes sóbrias, mas, ao mesmo tempo, não queria parar de ouvir. Era meio hipnotizante. Eu mal sabia que estava ouvindo Beatles e que (bem) mais tarde, aos 25 anos, eu finalmente conseguiria ficar praticamente cara a cara com Paul McCartney!

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À esquerda Isabella e o pai Roberto (com boné do Ringo)
no show do nosso Paul McCartney

Foi o que aconteceu no último show do músico em São Paulo, no Allianz Parque, no domingo, 15/10/2017. Eu já tinha ido a outras apresentações do Macca e, apesar de comprar pista premium, nunca tinha ficado na grade.
A sensação é inexplicável! Eu conseguia escutar as batidas do pé de Paul no tablado, durante "Blackbird". Eu também conseguia ver direitinho a fisionomia dele, como se estivesse assistindo a uma DVD no conforto do meu quarto - só que beeeem mais apertada e ao vivo e a cores.

"A Hard Day's Night" foi a música escolhida para abrir a turnê One On One. Paul McCartney entrou no palco e vê-lo tão perto de mim foi um choque! (risos) Olhei para o lado e vi meu pai, aquele mesmo cara que anos atrás cantava Beatles para eu dormir e ouvia "Because" no último volume na sala de casa. Aquele que, mesmo sem querer, me ensinou que os quatro garotos de Liverpool são simplesmente incomparáveis. Que eles mudaram a história da música! Chorei. Chorei de alegria, emoção, empolgação, gratidão e também de cansaço. Ficar horas e horas na fila, de pé ou em alguma posição desconfortável, não é fácil, mas cada segundo valeu a pena.

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Na sequência, para a alegria geral da nação (ou, pelo menos, para a minha alegria), veio "Junior's Farm", uma das minhas canções favoritas.
Mal pude acreditar! As clássicas "Can't Buy Me Love", "Jet", "Drive My Car" e "Let Me Roll It" incendiaram a plateia, parte essencial dos shows do beatle no Brasil. Ver a interação dos fãs com o ídolo é lindo demais!
Entre coros de "We love you, yeah", "olê, George", "Jonh, John" e "Ringo, Ringo", Paul improvisou solos de guitarra e violão para acompanhar a multidão. Era nítido que ele estava se divertindo!

Pouco antes da romântica "My Valentine", McCartney dedicou a canção para a sua esposa Nancy Shevell, que estava acompanhando tudo dos bastidores do estádio. Ele também tocou "Maybe I'm Amazed", mas, dessa vez, não a dedicou para a "gatinha Linda", só para a Linda. 

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No auge de seus 75 anos, Paul McCartney, como de costume, fez um show de quase três horas. Ou melhor, fez um espetáculo!
O músico não apenas toca e canta (o que já estaria de bom tamanho), mas dança, interage, brinca, entra e sai do palco, fala português... Aliás, foi fofíssimo vê-lo se encantando com o som da palavra "recente" e chamando "manos e minas" para cantar "Hey Jude" com ele. 

Entre sucessos antigos, como "In Spite Of All The Danger", dos The Quarryman, e lançamentos, como "FourFiveSeconds", McCartney tocou 38 músicas. Haja pique, haja hit! Na minha opinião, o palco de "Being For The Benefit Of Mr. Kite!" foi o mais lindo da noite.
Com temas circenses e muito colorido, ele deu ainda mais vida aos integrantes da banda.

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Ouvir "Something" com imagens de George Harrison ao fundo também foi um show à parte. E, é claro, foi impossível não se encantar com os acordes finais de "Blackbird", quando um pássaro apareceu voando sob os pés do britânico.

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Ao voltar do bis, além da Bandeira do Brasil, carregada por Paul, o guitarrista Brian Ray trouxe em mãos a Bandeira do Orgulho LGBTQ+.
Uma demonstração de respeito e representatividade para as mais de 45 mil pessoas que lotaram o Arena. 

Difícil escolher um momento favorito, mas acho que os listados acima foram alguns dos mais marcantes para mim. Todo show do Paul é o melhor da minha vida - e deve ser para você também, esteja na grade ou na última fileira da arquibancada. A energia de Sir James Paul McCartney é incrível, mas a emanada por ele vai além. Não há adjetivos para descrevê-la.
De presente, além das incontáveis memórias, levei um moletom lindo (e caro)! Paguei R$ 200 por ele. Os itens mais em conta da lojinha oficial eram chaveiros e faixas, entre R$ 40 e R$ 60. As camisetas ficavam todas em torno de R$ 100. 

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Because... Love is old, love is new, love is all, love is you, Paul. Volta logo! Precisamos de um tempo recuperar nossa conta bancária, mas damos sempre um jeitinho por você. (risos)

Set list de São Paulo

  1. A Hard Day's Night
  2. Junior's Farm
  3. Can't Buy Me Love
  4. Jet
  5. Drive My Car
  6. Let Me Roll It
  7. I've Got a Feeling
  8. My Valentine
  9. Nineteen Hundred and Eighty-Five
  10. Maybe I'm Amazed
  11. We Can Work It Out
  12. In Spite of All the Danger
  13. Love Me Do 
  14. And I Love Her
  15. Blackbird
  16. Here Today
  17. Queenie Eye
  18. New
  19. Lady Madonna
  20. FourFiveSeconds
  21. Eleanor Rigby
  22. I Wanna Be Your Man
  23. Being for the Benefit of Mr. Kite!
  24. Something
  25. A Day In The Life
  26. Ob-La-Di, Ob-La-Da
  27. Band On The Run
  28. Back in the U.S.S.R.
  29. Let It Be
  30. Live and Let Die
  31. Hey Jude
  32. Yesterday
  33. Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club Band
  34. Helter Skelter
  35. Birthday
  36. Golden Slumbers
  37. Carry That Weight
  38. The End